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Como calcular a corrente e a potência de uma fonte de alimentação

Como calcular a corrente e a potência de uma fonte Como calcular a corrente e a potência de uma fonte

Se você já montou um circuito que funcionou por alguns minutos e depois a fonte começou a aquecer demais, chiando ou desarmando sozinha, você não está sozinho. Aqui na bancada da Tecset Eletrônica, esse é um dos defeitos que mais atendemos: não é a fonte que é fraca, é o dimensionamento que foi feito errado.

Na prática, mais de 90% dos problemas de queima de fonte, queda de tensão e instabilidade em projetos com Arduino, fitas de LED, módulos e ventoinhas vêm de um único erro: escolher a fonte só pela tensão, sem calcular a corrente real que o circuito consome e a potência em Watts que será exigida dela.

Neste guia prático do Blog 1, vou te mostrar exatamente como eu calculo isso na bancada todos os dias. Sem matemática avançada. Você vai aprender a somar o consumo das suas cargas, aplicar a fórmula correta P = V x I, usar a margem de segurança de 30% que prolonga a vida útil da fonte e, o mais importante, como conferir tudo isso com o multímetro na prática.

Ao final deste artigo, você vai conseguir dimensionar qualquer fonte de 5V, 12V ou 24V para o seu projeto sem risco de sobrecarga.

O que realmente significam corrente e potência na fonte?

Para dimensionar certo, primeiro precisamos quebrar um vício comum de quem está começando. Muita gente olha para uma fonte e acha que ela vai entregar sempre o valor máximo que está na etiqueta. Não é assim que funciona. Entender isso na prática evita que você compre uma fonte superdimensionada ou queime uma subdimensionada.

Tensão, corrente e potência: a diferença na prática

Pense na fonte de alimentação como uma caixa d'água na sua bancada, essa analogia que uso com todos os alunos aqui na Tecset funciona muito bem.

Tensão (V - Volts): É a altura da caixa d'água, é a pressão. É o que a fonte tenta manter fixo o tempo todo. Se você comprou uma fonte 12V, ela vai trabalhar para manter 12V constantes na saída.

Corrente (I - Amperes): É o tamanho do cano e a quantidade de água que está saindo naquele momento. É o consumo do seu circuito. Se seu circuito precisa de pouco, sai pouca água. Se precisa de muito, sai muita água.

Potência (P - Watts): É o trabalho total que essa caixa d'água consegue fazer. É a combinação da pressão com a vazão. Na elétrica, a conta é direta: Potência = Tensão x Corrente.

Na prática de bancada: quando você vê uma etiqueta de fonte como essa:

INPUT: 100-240V~ 50/60Hz
OUTPUT: 12V --- 2A 24W

Isso quer dizer: ela mantém 12V de pressão. Ela consegue entregar até 2A de corrente quando o circuito pedir. E o trabalho máximo que ela aguenta fazer sem sobrecarga é de 24W. Se seu circuito pedir 2,5A, ela vai tentar entregar, vai aquecer, a tensão vai cair para 10V, 9V e ela vai entrar em proteção ou queimar.

Por que a fonte não "empurra" corrente, ela "fornece" sob demanda

Esse é o ponto que mais causa confusão para técnicos iniciantes e hobbistas avançados, e é crucial para o Blog 1.

A fonte não empurra 2A para dentro do seu circuito. É o seu circuito que PUXA a corrente que ele precisa. A fonte apenas disponibiliza até o limite dela.

É por isso que você pode, sem medo, usar uma fonte de 12V 5A (60W) em um circuito que consome apenas 12V 1A (12W). O circuito vai puxar apenas 1A. A fonte vai trabalhar folgada, fria e com vida útil muito maior. O que você NUNCA pode fazer é o contrário: usar uma fonte de 12V 1A em um circuito que precisa de 2A.

Aqui na bancada da Tecset, quando testamos uma fonte chaveada de procedência duvidosa, o que mais vemos é etiqueta mentirosa. Uma fonte marcada como 12V 2A, na carga real com resistor de teste, não sustenta nem 1,2A sem a tensão despencar. Por isso, além de calcular, você precisa aprender a medir, que é o que vamos fazer nas próximas etapas.

A fórmula essencial: a Lei da Potência (P = V x I)

Se você precisa decorar apenas uma fórmula para dimensionar fontes na bancada, é esta. Aqui na Tecset nós não usamos cálculos complexos para 90% dos projetos de reparo e montagem. Tudo se resolve com a Lei da Potência. Ela é simples, direta e funciona para qualquer fonte, seja linear ou chaveada.

A fórmula que resolve 90% dos casos

A relação é sempre a mesma:

P = V x I

Onde:

  • P é a Potência em Watts (W) - o que a fonte precisa aguentar
  • V é a Tensão em Volts (V) - a tensão da sua fonte, ex: 12V
  • I é a Corrente em Amperes (A) - o que seu circuito consome

Na bancada, o raciocínio é prático: se você tem um circuito de 12V que está puxando 1,5A no multímetro, a potência que sua fonte está entregando naquele momento é:

P = 12V x 1,5A = 18W

Ou seja, uma fonte de 12V 2A, que tem 24W, aguenta esse circuito. Uma fonte de 12V 1A, que tem apenas 12W, não aguenta. Simples assim.

Dica de bancada da Tecset: sempre converta tudo para Watts na hora de comparar. É muito mais fácil comparar 18W com 24W do que ficar se confundindo com Amperes de tensões diferentes.

Como isolar corrente (I = P / V) e potência

Na maioria das vezes, o componente não te fala a corrente, ele te fala a potência. É o caso de resistores de chuveiro, lâmpadas, módulos e fitas de LED. A etiqueta vem em Watts. Para descobrir a corrente, você precisa isolar a fórmula.

Você só precisa lembrar do triângulo da potência. As 3 variações que você vai usar no dia a dia são:

  1. Para achar a Potência: P = V x I
    Uso: quando você já mediu a corrente e quer saber se a fonte aguenta.
  2. Para achar a Corrente: I = P / V
    Uso: o mais comum. A fita de LED é de 24W em 12V. Qual a corrente? I = 24W / 12V = 2A.
  3. Para achar a Tensão: V = P / I
    Uso: mais raro, mas útil para conferir se uma fonte genérica está mantendo a tensão sob carga.

Exemplo prático que aparece toda semana aqui no laboratório: um cliente traz um roteador que na etiqueta diz 12V - 1A e quer usar uma fonte de 9V 2A que ele tem em casa porque o plug é igual. Pela fórmula, o roteador precisa de P = 12 x 1 = 12W. A fonte de 9V, mesmo tendo 2A, só tem V errado. Não vai funcionar corretamente e pode queimar a entrada do regulador. A conta em Watts te salva desse erro.

Não precisa decorar derivação, raiz quadrada ou fator de potência agora. Para o nível de projetos com Arduino, automação, som automotivo e reparos que fazemos no Blog 1, essas três variações resolvem. No próximo passo, vamos usar o I = P / V para somar o consumo de todo o seu projeto.

Passo 1 - Como calcular a corrente total que seu circuito precisa

Este é o erro onde a maioria dos hobbistas e até técnicos iniciantes erra. Eles olham apenas para o componente principal, como o Arduino ou o módulo, e esquecem de somar todo o resto. Fonte não se dimensiona por um componente só, se dimensiona pela soma de todos os consumos ao mesmo tempo. Aqui na bancada da Tecset, a primeira coisa que fazemos antes de escolher uma fonte é listar tudo que vai ficar ligado junto.

Somando o consumo de cada componente

A regra é simples e prática: a corrente total é a soma das correntes individuais de cada carga ligada em paralelo na mesma fonte.

I_total = I1 + I2 + I3 + ...

Não importa se é fita de LED, ventoinha ou placa. Se está tudo ligado nos mesmos 12V, as correntes se somam. A tensão continua a mesma, mas a fonte precisa ter fôlego para entregar a soma.

Vamos para o exemplo prático de bancada que montamos aqui para este artigo. É um cenário muito comum: um painel de automação simples.

Cenário do projeto: Uma fonte única de 12V precisa alimentar um Arduino Uno com um shield Ethernet, 1 metro de fita de LED 5050 branca e 2 coolers de 80mm para ventilação da caixa.

Componente Tensão de Trabalho Corrente Estimada Onde vimos
Arduino Uno + Shield W5100 12V (no jack) 0,30 A (300mA) Medição na bancada
1 metro de Fita LED 5050 12V 12V 1,20 A (1200mA) Etiqueta do rolo: 14,4W/m
2x Cooler 12V 80mm 12V 0,40 A (0,20A cada) Etiqueta do cooler
TOTAL 12V 1,90 A Soma direta

Na Tecset medimos esse conjunto na bancada com o multímetro em escala de 10A e a corrente real de pico na partida deu 2,05A, por causa da corrente inicial dos coolers. Ou seja, nosso cálculo estimado de 1,90A estava correto, mas já mostra que uma fonte de 12V 2A trabalharia no limite absoluto, sem nenhuma folga.

Onde encontrar o consumo no datasheet ou na etiqueta

Para não ficar adivinhando, você precisa procurar em três lugares, nesta ordem:

  1. 1. Na etiqueta do próprio componente: É o caso de coolers, bombas d'água 12V e fitas de LED. Sempre vem em Amperes (A) ou em Watts (W). Se vier em Watts, use I = P / V. Exemplo: fita de 14,4W/m em 12V = 14,4 / 12 = 1,2A por metro.
  2. 2. No datasheet ou anúncio do vendedor: Para módulos, Arduinos, ESP32 e relés, procure por "Operating Current", "Current Consumption" ou "Corrente de operação". Cuidado: muitos vendedores informam a corrente em repouso. Procure sempre pela corrente com carga máxima ou todos os relés acionados.
  3. 3. Na medição direta na bancada: Esta é a mais confiável para o nível técnico do Blog 1. Ligue seu circuito com uma fonte de bancada ajustável e meça a corrente em série com o multímetro. É o valor real, sem chute. Nós fazemos isso em todo projeto antes de especificar a fonte final para o cliente.

Com o I_total de 1,90A em mãos, você já tem 50% do dimensionamento. Agora no próximo passo vamos transformar isso em potência e aplicar a margem de segurança que vai evitar que sua fonte morra em 3 meses.

Passo 2 - Como calcular a potência e aplicar a margem de segurança

Agora que você já somou a corrente total do seu circuito no passo anterior, chegou a hora de transformar isso em potência e escolher a fonte certa. É aqui que se separa um projeto amador de um projeto profissional. Usar a conta direta sem margem é o erro que mais traz fontes estufadas e queimadas aqui para a bancada da Tecset.

Calculando a potência mínima necessária

Voltando ao nosso exemplo prático da seção anterior, nós somamos tudo e chegamos em:

I_total = 1,90A em 12V

A potência mínima para fazer esse circuito funcionar é a conta direta que você já aprendeu:

P_mínima = V x I_total
P_mínima = 12V x 1,90A = 22,8W

Na teoria, uma fonte de 12V 2A que entrega 24W já ligaria o projeto. Na prática, é exatamente o que você NÃO deve fazer. Essa fonte de 24W estaria trabalhando com 95% da sua capacidade o tempo todo. É como andar com o carro sempre no giro máximo, uma hora vai fundir.

A regra dos 30%: por que nunca usar a fonte no limite

Aqui na Tecset nós trabalhamos com uma regra de ouro para todos os projetos do Blog 1, que é intermediário e precisa de confiabilidade:

Potência Ideal = (V x I_total) x 1,3

Ou seja, você pega a potência mínima e adiciona 30% de folga. Vamos aplicar no nosso exemplo:

Potência Ideal = 22,8W x 1,3 = 29,64W

Arredondando, você precisa de uma fonte de pelo menos 30W em 12V.

Por que esses 30% são obrigatórios na prática de bancada?

  • 1. Aquecimento e eficiência: Toda fonte chaveada perde eficiência e esquenta mais quando está perto do limite. Esse calor resseca os capacitores eletrolíticos da saída. É o defeito número 1 que pegamos aqui: capacitor estufado por fonte trabalhando sempre a 100%.
  • 2. Corrente de partida: Motores, coolers e até fitas de LED longas puxam um pico de corrente na hora de ligar que pode ser 20% a 40% maior que o consumo normal. Se não tiver folga, a fonte desarma na partida.
  • 3. Vida útil: Uma fonte de 36W trabalhando com 22,8W trabalha fria, silenciosa e dura anos. A mesma fonte de 24W trabalhando com 22,8W dura meses.

Erro clássico que vemos todo dia: o cliente compra uma fonte de 12V 1A para uma carga que medimos aqui de 0,9A. Ele fala "mas está sobrando 0,1A". Não está. Pela nossa conta, 0,9A em 12V = 10,8W. Com a margem de 30%, ele precisaria de 14,04W, ou seja, uma fonte de 12V 1,5A no mínimo. A fonte de 1A vai trabalhar com 90% de carga, vai esquentar e em pouco tempo a tensão cai para 11V, 10V e o circuito começa a reiniciar sozinho.

Potência RMS vs. Pico em fontes chaveadas baratas

Este é um detalhe técnico que separa o Blog 1 do conteúdo básico do Blog 5. Muita fonte barata, principalmente de mercado livre e importada, anuncia a potência de pico e não a potência contínua ou RMS.

Quando você vê uma fonte muito pequena e leve marcada como "12V 5A 60W" por um preço muito abaixo do mercado, desconfie. Na bancada, quando colocamos carga real com resistores de teste, ela até entrega 5A por 10 segundos, que é a potência de pico, mas depois de 1 minuto aquecida, a tensão cai e ela só sustenta 3A contínuos. Isso é potência de pico.

Para o seu projeto, sempre considere a potência contínua. É por isso que comprar uma fonte de marca conhecida e aplicar a regra dos 30% te dá uma garantia dupla. No nosso exemplo, a conta deu 29,64W. No mercado você não acha fonte de 30W, você acha de 24W e de 36W. A escolha correta e profissional é sempre a de cima: fonte de 12V 3A com 36W. Ela vai trabalhar com cerca de 63% da capacidade, fria e com folga para futuros upgrades no projeto.

Na bancada: como medir a corrente e potência real com multímetro

Calcular no papel é essencial, mas aqui na Tecset nenhum projeto sai da bancada sem medição real. É a medição que revela o consumo escondido, o pico de partida e se a etiqueta da fonte fala a verdade. Esta é a parte mais importante para o seu E-E-A-T como técnico, e é o que diferencia um hobbista de um técnico de nível 2.

Como ligar o multímetro em série para medir corrente

Para medir tensão, você liga o multímetro em paralelo. Para medir corrente, é diferente: você precisa ligar em série, ou seja, a corrente do circuito tem que PASSAR por dentro do multímetro. Se ligar em paralelo, você vai queimar o fusível do multímetro na hora.

Passo a passo que usamos aqui na bancada:

  1. Desligue tudo da tomada. Nunca mude a ligação com o circuito energizado.
  2. Configure o multímetro: Gire a chave seletora para a escala de corrente contínua, símbolo A com um traço e três pontinhos (A=). Comece sempre pela escala de 10A. Ela não tem fusível na maioria dos multímetros e aguenta a medição inicial.
  3. Mude a ponta de prova: Tire a ponta vermelha da entrada VΩ e coloque na entrada marcada 10A ou 20A. A ponta preta continua no COM. Este é o erro que mais queima fusível na bancada, esquecer de voltar a ponta para VΩ depois.
  4. Abra o circuito: Desconecte o fio positivo que vai da fonte para o seu circuito.
  5. Feche o circuito com o multímetro: Encoste a ponta vermelha do multímetro no positivo da fonte e a ponta preta no positivo do circuito. O multímetro agora é a ponte por onde a corrente vai passar.
  6. Ligue a fonte e leia: O visor vai mostrar a corrente em Amperes. Se mostrar 0,85, significa 0,85A ou 850mA.

Alerta de segurança da Tecset: A entrada de 10A da maioria dos multímetros portáteis só aguenta por 10 a 15 segundos e não tem proteção. Se você deixar medindo 5A por 1 minuto, o cabo interno do multímetro derrete. Faça a leitura rápida e desligue. Para medições longas acima de 2A, use um alicate amperímetro DC.

Como medir o consumo em repouso e em carga máxima

Não basta medir uma vez só. Um projeto profissional tem dois consumos e você precisa medir os dois para aplicar a fórmula correta.

1. Consumo em repouso (standby):
É com tudo ligado, mas sem executar função. No nosso exemplo do Arduino + fita LED + coolers, é com o Arduino ligado mas com a fita LED desligada por código e os coolers parados. Aqui na bancada medimos: 0,12A. Esse valor serve para saber quanto seu projeto consome 24 horas por dia.

2. Consumo em carga máxima (full load):
É com tudo acionado ao mesmo tempo. No exemplo, é com a fita LED no branco máximo e os dois coolers ligados. Medimos 1,90A contínuos.

3. O pulo do gato: corrente de partida (pico):
Esta é a dica de ouro que poucos blogs básicos ensinam. Motores, coolers e fitas de LED longas puxam muito mais corrente nos primeiros 2 segundos. Para ver isso, você precisa ficar olhando o multímetro exatamente na hora que liga.

No nosso teste com os 2 coolers de 80mm, o multímetro marcou 0,78A por 1 segundo na partida e depois caiu para 0,40A contínuos. Quase o dobro! Se você dimensionou a fonte só para 0,40A, ela vai desarmar toda vez que ligar.

Como fazer na prática:

  • Ligue o multímetro em série na escala de 10A
  • Peça para alguém observar o visor enquanto você liga a fonte
  • Anote o maior valor que aparece nos primeiros 3 segundos, esse é o pico
  • Depois anote o valor estável, esse é o contínuo

Com esses dois valores, você calcula a potência real: P_real = 12V x I_contínuo e confere se a fonte aguenta o pico: P_pico = 12V x I_pico. Se a sua fonte não tiver a margem de 30% que ensinamos na seção anterior, ela vai falhar exatamente nesse pico de partida.

3 erros que queimam fontes e circuitos (e como evitar)

Depois de mais de 10 anos de bancada aqui na Tecset, posso te afirmar que 80% das fontes queimadas que chegam para reparo não queimaram por defeito de fábrica. Queimaram por erro de dimensionamento. São sempre os mesmos três erros e todos poderiam ser evitados com o que você já aprendeu nas seções anteriores. Esta seção é a que mais gera retenção e comentários, porque todo técnico já passou por pelo menos um deles.

1. Ignorar a corrente de partida (inrush)

Este é o erro número 1 e o mais traiçoeiro. O técnico mede a corrente com o circuito já funcionando, vê 1,5A, compra uma fonte de 12V 2A e acha que está com folga. No dia seguinte a fonte não liga ou fica reiniciando.

O que ele não mediu foi a corrente de partida. Motores DC, coolers, bombas 12V, fitas de LED com mais de 2 metros e até módulos com muitos capacitores eletrolíticos na entrada puxam um pico de 2 a 3 vezes a corrente nominal nos primeiros segundos.

Exemplo real da Tecset: Chegou uma caixa de som amplificada com fonte original de 12V 3A queimada. O cliente colocou uma de 12V 3A genérica e queimou em 2 dias. Medimos na bancada: em funcionamento normal, a caixa puxava 2,1A. Mas na batida forte do grave, no momento da partida do falante, o pico ia para 4,8A por 300ms. A fonte de 3A entrava em curto por sobrecarga toda vez.

Como evitar: Sempre meça o pico de partida como ensinamos na seção 5 e dimensione a fonte para o pico, não para o contínuo. Se o pico é de 4,8A, você precisa de uma fonte de no mínimo 12V 5A com margem de 30%, ou seja, uma de 6A.

2. Usar fonte com tensão maior "para ter mais força"

Esta é uma frase clássica que ouvimos de hobbistas avançados: "coloquei uma fonte de 19V no lugar de uma de 12V para ficar mais forte". Isso não dá mais força, isso queima regulador de tensão.

Quase todo circuito de 12V tem na entrada um regulador linear como o 7805, um AMS1117 ou um buck. Esses reguladores transformam a tensão excedente em calor. A conta de dissipação é: P_dissipada = (V_entrada - V_saída) x I.

Exemplo real da Tecset: Um roteador que trabalha com 12V 1A tem um regulador interno que baixa para 3,3V para o processador. Se você usa a fonte correta de 12V, o regulador dissipa (12 - 3,3) x 1 = 8,7W. Já esquenta. Se você coloca uma fonte de 19V do notebook porque o plug é igual, o regulador vai ter que dissipar (19 - 3,3) x 1 = 15,7W. Quase o dobro de calor. Em 20 minutos o regulador entra em proteção térmica e o roteador reinicia, e em poucos dias ele queima.

Como evitar: Tensão da fonte tem que ser exatamente igual à tensão nominal do circuito. Nunca maior. Se o circuito é 12V, use fonte 12V. A folga que você precisa ter é na corrente e na potência em Watts, nunca na tensão.

3. Comprar fonte falsificada sem potência real

Este é o erro que mais cresceu nos últimos dois anos. No comércio online, você encontra fontes "12V 10A 120W" do tamanho de uma caixa de fósforos, pesando 80 gramas, por R$ 25,00. Uma fonte chaveada de 120W real pesa no mínimo 300 gramas, tem filtro de linha e dissipador de alumínio decente.

Exemplo real da Tecset: Testamos aqui na bancada uma fonte comprada pelo cliente como "12V 5A". Na etiqueta, 60W. No teste de carga com resistor de 2,4 ohms, ela deveria manter 12V com 5A. O que aconteceu: com 2A a tensão já caiu para 11,2V. Com 3A, caiu para 10,1V e começou a chiar. Abrimos a fonte: capacitor de saída de 470uF, quando uma fonte de 5A de verdade usa dois de 1000uF, e o transformador de ferrite tinha metade do tamanho de um original.

Como evitar: Desconfie de três sinais: peso muito leve, preço muito abaixo da média e ausência de certificação Anatel ou Inmetro na etiqueta. Na prática do Blog 1, prefira sempre comprar fontes com 30% de margem acima do que você calculou e de fornecedores que informam a potência contínua e não só a de pico. Uma fonte de 12V 5A de qualidade duvidosa vai te entregar 3A reais. Uma fonte de 12V 5A de qualidade vai te entregar 5A contínuos o dia todo.

Exemplo completo: Dimensionando uma fonte 12V para um projeto real

Agora vamos fechar tudo que aprendemos em um único cálculo do início ao fim, como fazemos aqui na bancada da Tecset quando um cliente pede para dimensionar uma fonte para um projeto. Este é o método padrão do Blog 1, técnico intermediário, sem enrolação e 100% aplicável.

Cenário: Alimentar 3 módulos com 12V

Imagine o seguinte projeto, muito comum para makers e técnicos de automação: você precisa alimentar com uma única fonte 12V três módulos dentro de um mesmo painel.

  • Módulo 1: Um roteador 4G com consumo informado na etiqueta de 12V 0,5A
  • Módulo 2: Um mini DVR de 4 canais que na etiqueta diz 12V 12W
  • Módulo 3: Uma fechadura eletroímã 12V que no datasheet informa 250mA em repouso e 500mA quando acionada

Primeiro passo: padronizar tudo para corrente em Amperes para poder somar.

Cálculo final e escolha da fonte ideal na loja

Passo 1 - Converter tudo para corrente (I = P / V):

  • Roteador: já está em corrente = 0,5A
  • DVR: I = 12W / 12V = 1,0A
  • Fechadura: vamos considerar o pior caso, acionada = 0,5A

Passo 2 - Somar a corrente total:
I_total = 0,5A + 1,0A + 0,5A = 2,0A

Passo 3 - Calcular a potência mínima:
P_mínima = V x I_total = 12V x 2,0A = 24W

Passo 4 - Aplicar a regra de ouro dos 30% da Tecset:
Potência Ideal = P_mínima x 1,3 = 24W x 1,3 = 31,2W

Este é o valor que você precisa procurar na loja. Com 31,2W necessários, você tem duas opções comerciais:

  1. Fonte de 12V 2,5A = 30W - Fica abaixo do ideal, sem margem, vai trabalhar quente.
  2. Fonte de 12V 3A = 36W - Escolha correta e profissional.

Escolhendo a fonte de 12V 3A de 36W, seu projeto de 24W vai usar apenas 66% da capacidade da fonte. Ela vai trabalhar fria, com vida útil longa e com folga para o pico de partida da fechadura, que medimos aqui na bancada e chega a 0,8A por 1 segundo.

Para este cenário, o ideal é uma fonte chaveada, por ser mais leve, eficiente e já ter proteção contra curto. Se você ainda tem dúvida entre os modelos, veja nosso guia completo: como escolher fonte chaveada vs fonte linear.

Conclusão

Como você viu, calcular a corrente e a potência de uma fonte de alimentação não é bicho de sete cabeças. O método profissional que usamos na Tecset se resume a três passos que você nunca deve pular:

  1. Somar as correntes: Liste todos os componentes ligados na mesma fonte e some o consumo em Amperes.
  2. Calcular a potência: Use sempre P = V x I_total para achar a potência mínima em Watts.
  3. Aplicar 30% de margem: Multiplique por 1,3 e escolha a fonte comercial imediatamente acima desse valor.

Fazendo isso e conferindo com o multímetro em série na escala de 10A, você elimina o risco de aquecimento, queda de tensão e queima precoce da fonte.

Agora que você já sabe dimensionar, o próximo passo é aprender a testar. Veja aqui na Tecset como testar se sua fonte está entregando a corrente real com teste de carga e descubra se a etiqueta da sua fonte fala a verdade.

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